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A escola não é tudo mas quase

A escola não é tudo mas quase

VALORES a entrar pela sala dentro - com música e tudo

O mês de maio tem sido um mês com oferta de excelência para pais e professores colocarem as suas crianças e jovens, também alunos, a observar, a conversar, a analisar, a identificar valores, a relatar situações, quiçá a escrever textos em torno de valores experienciados. Porquê?

 

 

Ao falar em valores falamos de aprendizagens que as crianças e jovens deverão fazer onde estão e com quem estão. Estão em família e estão doze anos na escola. E é nesses dois contextos que podem perceber a presença, ou a falta, de valores fundamentais. Em casa, na sua rua, no seu bairro, na sua aldeia, na sua cidade, no recreio da escola, na sala de aula, desde pequenos, contactam, observam, participam em situações das quais emergem valores. Vão adquirindo gradualmente essa perceção e tomada de consciência, o que lhes permite ajustar atitudes consoante os valores que vão absorvendo.

O mês de maio tem sido um mês com oferta de excelência para pais e professores colocarem as suas crianças e jovens, também alunos, a observar, a conversar, a analisar, a identificar valores, a relatar situações, quiçá a escrever textos em torno de valores experienciados. Porquê?

A partir de Fátima, crentes e não crentes vibraram com a visita do Papa. O assunto tomou conta do nosso país durante vários dias. Era visível nas conversas um sentimento geral de paz e fraternidade, o respeito por quem se restaura através da oração, quem sabe, até de um certo desejo oculto de conseguir fazer o mesmo.

Pelo exemplo,o Papa, homem de fé , usa o seu lugar de autoridade com humildade a favor da paz e da justiça, ele que reconhece que a Igreja que representa nem sempre cumpriu essa missão. Mostra-nos, pela ação e pela palavra, que é pela paz em democracia que podemos evoluir, com uma mensagem que nos leva a acreditar na vida, a ter consciência dos nossos limites, a usar humildade para connosco e para com os outros, a saber que muito do que acontece nem sempre é compreensível.

Nesse ambiente de recolhimento e paz, ainda que numa imensa multidão de peregrinos, percebemos que somos capazes de fazer silêncio. Tão notado por ser tão pouco provável. A emoção enchia a alma, os corações vibravam, a palavra não cabia ali. O silêncio, esse que tem vindo a perder valor, tão afastado de nós no tipo de vida que se foi criando, ausente das cidades, ausente das famílias que se deixam dominar pela rainha televisão e outras tecnologias. O silêncio como um valor aliado da paz, não da paz podre, mas da paz interventiva nas famílias, nas empresas, nas escolas ; um valor que permite que cada um ouça o que diz o seu coração para se conhecer melhor, que permite escutar os outros sem os atropelar, que permite contemplar a beleza e descobri-la onde ela parece ausente.

E chegou a vitória dos irmãos Sobral, em união, e a força de Salvador, uma voz portuguesa, a cantar sobre a grandiosidade e sobre a generosidade do amor. O amor que espera e respeita o tempo de cada um, a esperança de que o amor se possa aprender, ainda que devagarinho, a aceitação de que tal possa não acontecer “ o meu coração pode amar pelos dois”. A música e o amor, universais, sentidos e cantados sem fronteiras.

Sem artifícios, uma paleta de valores a entrar pela casa dentro, pela sala de aula dentro, merecendo lugar de destaque,de forma tão inspiradora e estimulante. Com música e tudo.

 

Maria de Lurdes Monteiro